A Taxa

Sabotagem horizontal

A Taxa

O custo invisível que uma mulher paga sempre que tenta deslocar-se.

Não é uma metáfora vaga. É mensurável. Manifesta-se em tempo perdido, em energia gasta a justificar o que não deveria precisar de justificação, em oportunidades recusadas antes de serem sequer consideradas. A taxa não aparece na fatura. Aparece na vida que ficou mais estreita sem que ninguém consiga apontar o momento exato em que isso aconteceu.

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21 ensaios · sete véus · ~60 000 palavras

A pergunta que o livro faz

E se metade da máquina que te contém for operada por quem paga exactamente o mesmo preço que tu?

O que é

Este livro não oferece soluções. Não propõe terapias. Não termina com abraços nem com manifestos. Não convoca sororidade como se fosse bálsamo disponível em frasco. A sororidade, quando existe, é conquista difícil e frágil, não ponto de partida.

O que este livro faz é mais limitado e mais duro: nomear. Nomear as peças. Nomear as funções. Nomear os incentivos. Nomear o preço. Fazer o inventário completo de uma máquina que opera melhor quando ninguém a descreve.

O método

Cada ensaio deste livro parte de uma frase concreta. Uma frase que circula entre mulheres, que é repetida em mesas de cozinha e em gabinetes de recursos humanos, que soa a bom senso e funciona como contenção.

Frases pequenas. Instrumentos precisos.

Os sete véus

Os sete véus que este livro examina não são espirituais. São operacionais. Cada um funciona como um mecanismo distinto de contenção.

  1. 01A tradição que se disfarça de amor
  2. 02A herança que se transmite sem testamento
  3. 03A competição que se instala sem árbitro
  4. 04O silêncio que se impõe sem decreto
  5. 05A culpa que se distribui sem tribunal
  6. 06A vigilância que se exerce sem contrato
  7. 07A dualidade que transforma cada mulher em metade de si mesma

Sete camadas de um sistema que não se vê porque se confunde com o ar.

Os vinte e um ensaios

Sete andamentos de três. Cada um dos vinte e um abre numa uma cena concreta, o mecanismo, quem o executa, quem lucra com ele, fecho, sem redenção.

  1. 01
    • A economia do «sempre»
    • A vigilante geracional
    • Tradição vs armadilha
  2. 02
    • A herança que ninguém pediu
    • «Se eu consegui, tu também consegues»
    • Quebrar o ciclo (ou não)
  3. 03
    • A contabilidade invisível
    • Cansaço como dívida
    • Quem tem direito ao descanso?
  4. 04
    • A taxa de acesso
    • O sorriso obrigatório
    • A armadilha da humildade
  5. 05
    • O preço da visibilidade
    • A mesa vazia
    • Inveja disfarçada de preocupação
  6. 06
    • A armadilha da meta
    • Felicidade adiada
    • Quem lucra com a promessa?
  7. 07
    • A falsa escolha
    • Quem define «mulher de verdade»?
    • Para além da divisão (ou não há saída?)

Em que se paga a taxa

TempoEnergiaCulpaSilêncioPertençaDívidaDescanso

A taxa não tem recibo. Mas tem memória. E a memória, ao contrário do recibo, não se perde numa gaveta. Fica no corpo. Na postura. Na voz que hesita meio segundo antes de afirmar o que sabe.

Este livro é para ti se

Uma amostra

Quando a frase que te impede de avançar vem da tua mãe, da tua colega, da tua amiga mais próxima, o sistema deixa de precisar de guardas. Tem voluntárias.

Não por conspiração. Por eficiência.

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Não esperes conforto nestas páginas. O conforto é, precisamente, um dos mecanismos que os véus utilizam para se manter no lugar. Espera clareza. Fria, se necessário. Desagradável, se inevitável. Mas clareza. Por Vivianne dos Santos.

A Taxa · Vivianne dos Santos