Quando dizem "voltar a ti", tu imaginas uma viagem.
Imaginas que tens de mudar de cidade, ou de relação, ou de profissão. Que tens de fazer alguma coisa grande para chegares ao sítio que prometeram. E enquanto isso não acontece, ficas no que tens, à espera.
Mas a casa não está noutro sítio. A casa está em qualquer momento em que tu paras de te apressar e te deixas estar onde estás.
É um gesto, não um lugar
Voltar a ti é parar à frente do espelho mais um segundo. É dar à tua respiração espaço para acabar, antes de começares a seguinte. É deixares que a tua mão, quando agarra uma chávena de café, seja a tua mão.
São coisas tão pequenas que tu passas por elas mil vezes por dia sem reparar. E o que te tira de ti não é a falta de uma grande mudança. É a quantidade vertiginosa destes momentos pequenos em que tu, sem dares por isso, não estás.
A boa notícia
Tu não precisas de te ir embora para voltares.
Não tens de te divorciar, não tens de mudar de cidade, não tens de fazer uma terapia de cinco anos. Podes começar agora, neste minuto.
Pousa o telefone. Olha para o sítio onde estás. Respira uma vez devagar.
Repara: já voltaste.
A casa estava sempre aqui. Só tu é que estavas longe.
