Pensa naquela última vez que algo te correu mal.
Antes de o problema acontecer, alguma coisa em ti já sabia. Um aperto no estômago, uma pressão no peito, uma fadiga que não se explicava. Tu chamaste a isso stress, ou ciclo, ou má noite de sono. E continuaste em frente.
Depois aconteceu o que tinha de acontecer. E só depois a tua cabeça encontrou as palavras para nomear o que o teu corpo já sabia há semanas.
O corpo não atrasa
A tua mente é rápida em conceitos. Em sensações é lenta. Por isso ela racionaliza, planeia, antecipa em palavras. mas a informação mais importante chega-te por outro canal, e tu tens de aprender a escutá-lo.
A tua cabeça processa em palavras. O teu corpo processa em peso, em temperatura, em ritmo, em onde sentes ar e em onde não sentes.
Quando entras num sítio e te sentes pesada sem saber porquê, o teu corpo já leu a sala. Quando alguém te diz que está tudo bem e tu sentes os ombros a subir, o teu corpo já leu a pessoa.
Aprender a ouvi-lo
Não precisas de práticas exóticas. Precisas de uma pergunta nova, várias vezes por dia: o que é que o meu corpo está a sentir agora?
Não respondas pela cabeça. Espera. Deixa-o responder.
Vai chegar pouco no início. Uma sensação difusa, sem nome. Mas continua a perguntar. O canal abre.
E depois, vais começar a saber as coisas antes de te conseguires explicar como.
