A primeira vez que disseste não a sério, tremeste.
Não o não educado, o não com justificação, o não que vem embrulhado em desculpas para a outra pessoa não se sentir mal. O não limpo. O não de uma frase. O não que significa: isto não é para mim, e não te devo uma explicação.
E tremeste. Porque em toda a tua vida, o não tinha sido perigoso. Na tua família, dizer não era rejeitar. Era magoar. Era egoísmo. E tu, que aprendeste que amar é dizer sim a tudo, nunca soubeste o que era proteger-te sem culpa.
O que o não protege
O não protege a tua energia. Protege o teu tempo. Protege o teu corpo de ir a sítios onde não quer estar. Protege a tua palavra de prometer o que não sentes.
Mas mais do que tudo, o não protege o teu sim. Porque quando dizes sim a tudo, o teu sim não vale nada. É automático, é reactivo, é sobrevivência. Quando aprendes a dizer não, o teu sim volta a ter peso.
A prática
Esta semana, diz um não que costumas engolir. Pode ser pequeno. Pode tremer. Não precisas de o explicar.
Cada não que dizes ao mundo é um sim que te dás a ti. E esse sim muda a forma como respiras.
