Pousa o telefone.
Respira fundo.
Reparas? Não foste até ao fim. O ar entrou três quartos e tu já o estavas a libertar. Tens feito isto há horas. Há dias. Talvez há meses.
Há pessoas que andam o dia inteiro sem respirar de verdade.
A respiração curta tem uma história
O teu corpo só respira a fundo quando se sente em segurança. Quando há mesmo que seja só uma parte de ti que está em estado de alerta, a tua respiração encurta-se sem te perguntar. Os ombros sobem ligeiramente. O diafragma trava. Tu respiras pela parte de cima dos pulmões, depressa, sem dares por isso.
E a maior parte das pessoas nunca repara que está a fazer isso. Acha que é assim que se respira. Acha que aquela tensão na nuca é cansaço, e aquela impaciência de fim de tarde é o trânsito.
Não é. É a respiração curta a acumular.
O que abre
Não te peço meditação de quarenta minutos. Peço-te uma respiração só. Uma.
Inspira pelo nariz, lentamente, até sentires o estômago a empurrar. Deixa o ar chegar onde não estava a chegar há horas. Espera dois segundos. Solta devagar pela boca.
Repara o que muda. Os ombros caem meio centímetro. A pressa diminui um nadinha.
Esta foi a tua primeira respiração inteira do dia. Faz mais cinco como esta antes de adormeceres.
