Tu queres perceber.
Queres saber porquê. De onde veio. O que aconteceu. Queres a história completa, a origem exacta, a explicação que finalmente te dê paz. E enquanto não tiveres essa explicação, sentes que não podes avançar.
Mas e se pudesses?
A armadilha da compreensão
Compreender é útil. Mas pode tornar-se numa prisão. Quando fazes da compreensão um pré-requisito para a cura, ficas refém da história. E há histórias que nunca vais saber inteiras. Há silêncios na tua família que ninguém vai quebrar. Há coisas que aconteceram antes de tu nasceres e que não deixaram rasto.
E tu continuas à espera da peça que falta para poderes seguir.
Sentir é suficiente
O corpo não precisa de explicações. Precisa de ser ouvido. Quando sentes uma tristeza antiga, não precisas de saber de quem é para a honrar. Quando sentes medo sem objecto, não precisas de nomeá-lo para o deixar passar.
Às vezes o trabalho não é perceber. É permitir. Deixar que o que está a pedir para sair, saia. Sem relatório. Sem diagnóstico.
Nem tudo precisa de ser compreendido para ser libertado. Às vezes basta sentir, e soltar.
