Como é que tu falas contigo quando ninguém ouve?
Quando derramasas o café. Quando chegas atrasada. Quando dizes a coisa errada. Quando o corpo não faz o que querias. Como é a voz dentro da tua cabeça nesses momentos?
Se for dura, se for impaciente, se for a voz de alguém que já conheceste. não é tua. É herdada. E pode mudar.
A violência invisível
Ninguém vê o que tu dizes a ti mesma. Ninguém sabe que te chamas estúpida quando te enganas. Que te chamas fraca quando choras. Que te dizes que devias ser mais, melhor, diferente.
Essa violência é invisível. Mas o corpo sente-a. Cada insulto que te dás por dentro contrai uma fibra muscular. Cada vez que te castigas mentalmente, o teu sistema nervoso regista ameaça. E a ameaça és tu.
O gesto
A gentileza começa no gesto mais pequeno. A mão no peito quando erras. O suspiro em vez da frase. O permitir-te ficar sentada mais cinco minutos sem razão.
Não é amor próprio de Instagram. É a decisão silenciosa de parares de te tratar como inimiga.
A gentileza que tens contigo quando ninguém vê é o alicerce de tudo o que queres construir.
