Tu achas que tens de chegar ao fim de alguma coisa para mereceres ser vista.
Ao fim da terapia. Ao fim da transformação. Ao fim do processo. Quando estiveres curada, resolvida, completa. aí sim, aí podes mostrar-te. Aí podes ser amada a sério.
Mas isso nunca chega. Porque o processo não acaba. E enquanto esperas pelo fim, escondes-te no meio.
A meio é onde estás
A meio é com as olheiras de quinta-feira. É com a resposta que não soubeste dar. É com a insegurança que voltou depois de pensares que já a tinhas resolvido. É com as contradições todas, as partes bonitas e as partes estranhas, ao mesmo tempo.
E é exactamente aí que acontece a verdadeira intimidade. Não na versão polida. Na versão real.
Ser vista assim
Ser vista a meio exige mais coragem do que ser vista pronta. Porque pronta é seguro. A meio é vulnerável.
Mas quando alguém te vê a meio e fica. sem tentar consertar-te, sem esperar que melhores. acontece qualquer coisa que nenhuma versão polida consegue: confiança.
Não precisas de estar pronta para seres amada. Precisas de ser vista exactamente como estás.
